domingo, 31 de maio de 2015

Hoje eu mergulhei em mim.

Quando eu vi tudo aquilo eu tive a certeza: não havia nada no mundo que pagasse o que eu estava vivendo. Enquanto eu olhava as cores e texturas dos corais no interior das águas do pacífico, deslumbrada com o que eu nunca havia visto eu pensava: Como puder cogitar deixar de viver tudo isso em troca de estar perto de alguém que nem respondia mais as minhas mensagens? Mentalmente (até porque estava debaixo dágua), eu mandei ele se fuder! Mandei! Eu que sempre fui certinha, daquelas que acha deselegante falar palavrão, rompi os meus princípios e mandei ele a puta que pariu! Ok, foi só mentalmente, mas eu mandei.

Mergulhei em mim pra entender que a vida passa, e passa tão depressa que não vale a pena desperdiçar tempo pensando no que teria sido.
Mergulhei em mim pra entender que o presente é o momento mais importante porque é onde a gente se constrói, e que só se gasta energia com quem escolhe fazer parte dele.
Mergulhei em mim pra entender que você vai ser uma boa lembrança.
Eu sigo, com os meus motivos e os meus conceitos, com os meus afetos e os meus defeitos, com as minhas virtudes e os meus preceitos.
E você fica. Fica na minha memória.
Não te guardo como ilusão de futuro.
Te guardo como um momento inesquecível.
TUDO isso.
SÓ isso.

"Tudo que é bom dura o tempo necessário pra ser inesquecível"
Fernando Pessoa



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Das coisas que a gente nunca se disse

A cartomante que eu fui pra tentar entender o que aconteceu entre a gente (e olha que eu sempre fui cética) disse que você era gay. Nos dias em que eu tô deprê, penso nas palavras dela pra poder me reerguer e dizer pra mim mesma que a gente não ia dar certo - "Você é muito mulher pra ele" - ela dizia. 
Mas nos dias em que tô mais forte, lembro do que a gente viveu com carinho. 
Ainda não entendo por que você quis ir embora naquela noite. Entrou pro rol das coisas que a gente nunca se disse. 
Você nunca me disse se queria namorar ou só curtir a sua vida de solteiro.
Eu nunca te disse também, porque na verdade eu nem sabia... Eu só sabia que te queria!
Você nunca me disse por quanto tempo teve alguém, há quanto tempo estava só e se o seu coração ainda doía.
Eu nunca perguntei porque também não queria falar sobre as minhas feridas cicatrizadas.
Você nunca me disse por que mudou da água pro vinho depois dos meses que a gente ficou sem se falar - depois que a gente brigou e eu te excluí de todas as redes sociais porque você, respondendo às minhas provocações insanas depois de ter sido ignorada, disse que o que faltou foi interesse da tua parte.
Eu nunca te disse que quando a gente restabeleceu contato e você me convidou insistentemente pra sair, eu só queria era me vingar, mas acabei me apaixonando...
Aceitei o teu convite, te provoquei, demorei alguns encontros pra ceder aos apelos dos nossos corpos em um jogo de mostrar e esconder, provar e recolher, fazendo a nossa imaginação trabalhar pra que a gente se quisesse de verdade! Enquanto o vidro do carro embaçava com a música rolando e o calor dos nossos corpos, eu te beijava o pescoço e tu sussurravas ao meu ouvido, dizendo que eu podia pedir o que quisesse naquela hora...
Hoje, quando eu tô forte, guardo na lembrança esses momentos. O teu jeito carinhoso de me receber com um beijo que me tirava o fôlego quando eu entrava no teu carro, as conversas que a gente tinha sobre os livros que a gente leu, os lugares que conheceu, nossos planos individuais de estudo e trabalho... O curso que você estava tentando entrar e o que eu estava terminando, a noite que a gente dançou, os filmes que a gente viu no cinema...
Ainda não sei se você foi embora naquela noite porque já sabia que nossa história tinha prazo de validade, ou se de novo perdeu o interesse...  Eu vi, eu sei que vi teu sorriso murchar quando eu contei que dentro de menos de dois meses ia pro outro lado do mundo. Seja lá qual tenha sido o motivo, te guardo com carinho na memória pra revisitar nos meus momentos de coragem.